Durante sua missão na cratera Jezero, em Marte, o rover Perseverance fez uma descoberta surpreendente: uma rocha cheia de pequenas esferas cinzentas, milimétricas, com formatos variados — algumas redondinhas, outras achatadas ou quebradas, muitas com pequenos furinhos. A rocha, batizada de St. Pauls Bay, chamou a atenção da equipe da NASA por seu visual intrigante e pelas possíveis pistas sobre a história geológica do planeta vermelho.
Uma rocha diferente de tudo ao redor
A rocha foi encontrada na região conhecida como Witch Hazel Hill, uma área com camadas de tons claros e escuros que já vinham sendo estudadas por imagens orbitais. No meio de várias rochas achatadas e amareladas, uma se destacou: mais escura, com textura “pipocada”, parecendo uma mistura de alcaparras com cobertura de argila seca.
O registro foi feito no sol 1442 da missão (11 de março de 2025), com imagens detalhadas captadas pelos instrumentos Mastcam-Z e SuperCam RMI do rover. Algumas das esferas têm formatos alongados, outras parecem ter se partido — tudo isso indicando que elas se formaram por processos bem distintos dos das rochas ao redor.
O que são essas esferas?
A grande pergunta agora é: o que pode ter formado essas estruturas tão peculiares? A resposta ainda não é definitiva, mas os cientistas trabalham com três hipóteses principais:
💧 Concreções formadas por água subterrânea
Essa é a explicação mais provável até agora. As esferas podem ser concreções, que se formam quando água rica em minerais circula por sedimentos e cimenta partículas ao redor de pequenos núcleos. Isso já foi observado antes em Marte — como as famosas “blueberries” descobertas pelo rover Opportunity em 2004 — e também na Terra.
🌋 Formação vulcânica
Outra possibilidade é que as esferas tenham se formado a partir de gotículas de lava ou cinzas resfriadas rapidamente durante uma erupção. Esse tipo de material é chamado de “lapilli” em geologia.
☄️ Esférulas de impacto
Em casos de impacto de meteoritos, o calor extremo pode vaporizar rochas que, ao se condensarem novamente, formam pequenas esferas. Já foram encontrados depósitos assim na Terra, geralmente associados a eventos de grande impacto.
Um pedaço fora do lugar certo
Apesar de todo o potencial da descoberta, há um detalhe importante: a rocha St. Pauls Bay é uma float rock, ou seja, não está mais em seu local de origem. Isso significa que ela foi transportada de outro ponto e não pode ser diretamente associada às camadas de onde foi encontrada. Ela pode ter vindo de uma área mais profunda, ou até mais distante — o que adiciona ainda mais mistério à sua origem.
A equipe do Perseverance agora trabalha para encontrar conexões entre essa rocha esférica e outras camadas escuras já mapeadas na região. Entender de onde ela veio e como foi formada pode ajudar a reconstruir eventos geológicos antigos, incluindo possíveis períodos com água em circulação sob a superfície de Marte.
Curiosidade visual
Se você reparar bem nas imagens, algumas das esferas lembram visualmente grãos de pipoca ou até alcaparras mergulhadas num molho argiloso — o que só aumenta o fascínio em torno desse achado. A textura rugosa e a coloração acinzentada contrastam fortemente com o ambiente arenoso e claro ao redor, tornando a rocha ainda mais especial aos olhos dos cientistas.