A China revelou uma ambiciosa estratégia de exploração espacial voltada para a busca de vida fora da Terra e o estudo de ambientes potencialmente habitáveis em diferentes planetas do Sistema Solar. A apresentação, publicada pelo Deep Space Exploration Laboratory (DSEL) nas redes sociais em 26 de março, detalha missões programadas até 2039, com destinos que incluem Marte, Vênus, Júpiter, Netuno e suas luas.
Missões chinesas visam planetas e luas com potencial para abrigar vida
A primeira missão dessa nova fase é a Tianwen-3, prevista para 2028, que pretende coletar amostras de solo marciano e trazê-las à Terra. O objetivo principal é procurar evidências de vida passada ou presente em Marte, reforçando o protagonismo da China nas investigações astrobiológicas.
Na sequência, a Tianwen-4 será lançada em 2029 rumo a Júpiter, com foco na lua Calisto, um dos possíveis candidatos a mundos oceânicos. Já em 2033, a atenção se voltará para Vênus, com uma missão de retorno de amostras da atmosfera para estudar seu microambiente químico e climático.
Paralelamente, está previsto para 2030 o desenvolvimento de uma plataforma terrestre que simulará ambientes planetários habitáveis, usada para experimentos e testes de tecnologias.
Marte continua no centro dos planos
Em 2038, a China pretende estabelecer uma estação de pesquisa marciana, que será robotizada e voltada à exploração ambiental e biológica de longo prazo. A estação também testará tecnologias de uso de recursos in situ, como a extração de oxigênio e água, essenciais para futuras missões humanas.
Embora ainda sem confirmação oficial, uma missão para Netuno está planejada para 2039. Ela seria nuclear, com foco em investigar a atmosfera do planeta, seus anéis e, principalmente, sua lua Tritão — considerada uma forte candidata a abrigar um oceano subterrâneo.
Desafios tecnológicos e estratégicos
A execução dessas missões dependerá de avanços importantes, como o desenvolvimento de sistemas de comunicação para distâncias extremas, protocolos de proteção planetária e o domínio da tecnologia nuclear para uso espacial — algo que, até aqui, contou com colaboração russa.
Além disso, a China está construindo o Observatório “Terra 2.0”, previsto para 2028, cuja missão será detectar exoplanetas semelhantes à Terra e analisar sua habitabilidade.
Missões em destaque e suas metas astrobiológicas:
Missão / Programa | Lançamento Previsto | Foco Principal | Relevância Astrobiológica |
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Tianwen-3 | ~2028 | Marte – retorno de amostras | Busca por vida passada ou presente em Marte |
Tianwen-4 | ~2029 | Júpiter e Calisto | Habitabilidade de luas oceânicas |
Simulador de Ambientes | ~2030 | Plataforma terrestre | Experimentos de simulação de habitabilidade |
Missão para Vênus | ~2033 | Atmosfera venusiana | Estudo de ambientes extremos e química atmosférica |
Estação científica em Marte | ~2038 | Pesquisa ambiental e biológica de longo prazo | Exploração robótica contínua e uso de recursos in situ |
Missão para Netuno e Tritão | ~2039 | Netuno e sua lua | Busca por oceanos subterrâneos e condições de habitabilidade |