O senador Mike Rounds (Republicano de Dakota do Sul), membro dos comitês de Serviços Armados e Inteligência do Senado dos EUA, disse que a relação do Pentágono com empresas contratadas ajuda a explicar por que parte do que elas fazem pode ficar fora do alcance da FOIA (Freedom of Information Act, lei federal de acesso a registros públicos). A fala apareceu numa entrevista gravada em 5 de fevereiro de 2026 e publicada em 7 de fevereiro pelo Ask a Pol UAP, projeto do jornalista Matt Laslo.
Questionado por Laslo sobre por que contratadas militares seriam “isentas” da FOIA, Rounds respondeu que existe uma discussão geral sobre o caráter proprietário (informação privada ligada a tecnologia e propriedade intelectual) do que essas empresas detêm. Segundo ele, o governo “compra os serviços” e “compra os produtos”, mas “não necessariamente as patentes que criaram isso”, afirmando em seguida: “Estamos mudando muito disso agora”. No trecho divulgado, ele não detalha quais mudanças são essas nem que medidas concretas já estariam em andamento.
A conversa aconteceu num cenário bem específico: Laslo acompanha Rounds e seus assessores no subsolo do Capitólio e entra com ele no tram, o trenzinho interno que liga áreas do complexo. Logo no começo, o jornalista menciona o documentário The Age of Disclosure, e Rounds diz que ainda não assistiu. Laslo tenta puxar um ponto do filme sobre eminent domain (desapropriação, o poder do Estado de tomar um bem por interesse público com compensação) ligado à UAP Disclosure Act (UAPDA, projeto sobre divulgação de informações de UAP, ou Fenômenos Anômalos Não Identificados) que Rounds escreveu junto com o líder da maioria no Senado, Chuck Schumer. No transcript, Rounds reage repetindo “eminent domain?”, sem desenvolver a resposta.
A partir daí, Laslo muda o foco e pergunta se o Pentágono não poderia “esconder coisas do Congresso” simplesmente deixando um contratado “segurar” o assunto. Rounds admite que isso “tem sido uma discussão por algum tempo”, mas diz que não houve resolução.
Sobre o futuro do próprio UAPDA, Laslo pergunta se Rounds pretende reapresentar a proposta após a NDAA (National Defense Authorization Act, a lei anual que define orçamento e diretrizes do Departamento de Defesa). Rounds afirma que vai conversar com outros senadores e diz que queria uma solução “mais permanente” para que, com o tempo, mais temas pudessem ficar disponíveis ao público e existisse um lugar para isso ser “mantido e exibido com precisão”. Ao mesmo tempo, ele ressalta um limite: não quer fazer nada que afete a capacidade de manter “programas realmente sensíveis” em segredo ou protegidos.
No final, o repórter tenta levar o assunto para as incursões sobre bases militares e áreas sensíveis, citando Langley AFB (Air Force Base, base aérea) e o relato de que a base teria ficado interrompida por 17 dias. Perguntado se hoje ele estaria “suficientemente convencido” de que o Pentágono lidou bem com isso, Rounds responde de forma seca: “Não.” Ele diz que o governo estaria “chegando lá”, que está trabalhando duro, e que acredita que estão em condição melhor do que três anos atrás, mas “não perfeitos”. Quando Laslo menciona que Mark Warner e Tim Kaine ainda não teriam respostas do Pentágono sobre quem era o responsável, Rounds encerra: “Não vou comentar isso.”
Nos comentários da publicação, a discussão também sai do trilho institucional e vira desabafo. Um usuário que se identifica como ex-oficial da Marinha dos EUA afirma que contratadas seriam usadas como “laranjas” para atividades ilegais e faz alegações amplas sobre perseguição e intimidação; Laslo responde dizendo que acha a situação “enlouquecedora”. O texto não apresenta evidências para essas acusações além do próprio comentário.
Fontes:
https://www.askapoluaps.com/p/why-are-military-contractors-exempt-from-foia-uapda







