Nova Jersey entrou para a história do debate sobre fenômenos aéreos ao se tornar o primeiro estado dos Estados Unidos a criar, por lei, um centro universitário financiado com recursos públicos permanentes para o estudo de UAPs, sigla para Fenômenos Aéreos Não Identificados. A medida foi oficializada em 12 de janeiro de 2026, quando o governador Phil Murphy sancionou a Assembly Bill 5712.
A nova legislação garante US$ 2,5 milhões por ano para universidades públicas do estado criarem um Centro de Estudos de Fenômenos Aéreos Não Identificados, além de US$ 1 milhão já previsto no orçamento do ano fiscal de 2026. Um ponto importante é que os recursos não utilizados podem ser acumulados para os anos seguintes, o que dá estabilidade de longo prazo ao programa e evita cortes automáticos por falta de execução imediata.
Na prática, isso significa que a pesquisa sobre UAPs deixa de ser apenas um tema militar ou federal e passa a ganhar um espaço institucional aberto, acadêmico e civil. Por estar estruturado em nível estadual, o centro poderá divulgar seus resultados publicamente, sem ficar preso aos regimes de sigilo federal, que muitas vezes limitam o acesso a dados, metodologias e conclusões.
A aprovação do projeto teve influência direta da organização Americans for Safe Aerospace, que confirmou apoio formal à proposta ainda em 2025. A entidade atua na defesa da segurança aérea e no incentivo à investigação científica de ocorrências anômalas no espaço aéreo.
Durante o processo legislativo, o diretor executivo da organização, Ryan Graves, prestou depoimento oficial aos parlamentares. Ex-piloto da Marinha dos Estados Unidos, ele destacou os riscos potenciais que UAPs representam para a aviação civil e militar e afirmou que a falta de uma infraestrutura coordenada de pesquisa prejudica a capacidade do país de analisar esses fenômenos com seriedade técnica.
Outro ponto ressaltado foi o estigma profissional que ainda cerca o tema. Segundo Graves, centros universitários ajudam a legitimar o estudo dos UAPs como investigação científica legítima, criando um ambiente mais seguro para que pilotos, controladores de voo e outros profissionais relatem ocorrências sem medo de prejuízos à carreira.
A lei também estabelece um cronograma claro. A Secretaria de Ensino Superior de Nova Jersey deverá abrir os editais de financiamento em até 120 dias após a entrada em vigor da norma. A partir daí, universidades públicas poderão apresentar projetos para disputar os recursos e, oficialmente, dar início ao primeiro centro estadual de pesquisa UAP dos Estados Unidos.
O movimento de Nova Jersey cria um precedente relevante. Ao mostrar que a pesquisa pública e transparente sobre UAPs é politicamente viável e financeiramente sustentável, o estado inaugura um modelo que pode ser replicado em outras regiões do país, ampliando o debate científico sobre um tema que, até pouco tempo atrás, era tratado quase exclusivamente nos bastidores.







