Uma reportagem do site Liberation Times colocou o senador Mitch McConnell no centro das acusações pelo fracasso da principal lei de transparência sobre UAP, sigla para Fenômenos Anômalos Não Identificados, nos Estados Unidos. Segundo fontes ouvidas pelo veículo, McConnell e seu gabinete atuaram diretamente para impedir que a proposta avançasse em 2025, apesar do apoio declarado de parlamentares de diferentes partidos.
O foco da reportagem não está apenas na manobra política, mas em quem, de fato, toma as decisões. Fontes afirmam que Terry Carmack, chefe de gabinete de McConnell, foi a figura-chave na retirada da chamada UAP Disclosure Act, proposta que buscava organizar a revisão e eventual divulgação de registros governamentais sobre UAP. Um dos relatos é direto ao afirmar que McConnell “sempre trabalhou contra a divulgação”, apontando o senador como o principal responsável pelo bloqueio.
Esse bastidor ganha peso em um contexto mais amplo e delicado. Nos últimos anos, McConnell protagonizou episódios públicos amplamente divulgados em que ficou visivelmente desorientado e em silêncio por longos segundos durante coletivas de imprensa. Esses momentos reacenderam o debate em Washington sobre a real capacidade de alguns senadores muito idosos de conduzir decisões complexas e sensíveis, e sobre o grau de poder concentrado nas mãos de assessores não eleitos.
A reportagem do Liberation Times sugere que esse não é um detalhe periférico. Pelo contrário, o caso da transparência sobre UAP expõe um modelo em que decisões estratégicas acabam sendo tomadas nos bastidores por equipes técnicas, enquanto o senador, formalmente no comando, aparece cada vez menos como o agente ativo do processo. Para críticos desse sistema, isso cria um déficit democrático difícil de ignorar, especialmente em temas que envolvem sigilo extremo e interesse público elevado.
O deputado Eric Burlison, um dos defensores da proposta, já havia relatado frustração ao descobrir que sua iniciativa fora barrada por critérios técnicos definidos por assessores, e não por voto ou debate aberto entre parlamentares. Embora Burlison evite acusações diretas, a apuração do Liberation Times conecta esses relatos diretamente ao círculo de McConnell.
Até o momento, nem o senador nem seu chefe de gabinete responderam aos pedidos de esclarecimento feitos pelo veículo. O silêncio reforça a percepção de que o bloqueio não foi fruto de um debate público transparente, mas de decisões internas pouco visíveis.
Mais do que uma disputa legislativa específica, o episódio coloca McConnell no centro de duas discussões incômodas: o futuro da transparência sobre UAP nos Estados Unidos e o impacto real da idade avançada e da dependência de assessores no funcionamento do poder político americano.
Fontes:
https://www.liberationtimes.com/home/sources-blame-senator-mcconnell-for-ufo-transparency-law-failure
https://www.c-span.org
https://www.congress.gov







