O episódio mais recente do podcast American Alchemy, apresentado por Jesse Michels, trouxe uma das conversas mais densas e impactantes já exibidas sobre UAPs (Fenômenos Anômalos Não Identificados). O convidado foi Kevin Knuth, físico da Universidade de Albany e ex-pesquisador da NASA, que apresentou um panorama direto, técnico e pouco especulativo sobre o fenômeno — mas ainda assim perturbador.
Logo no início, Knuth chama atenção não por relatos de avistamentos, mas por algo mais sutil: as conversas inesperadas que passou a ter com colegas da NASA depois que começou a falar publicamente sobre UAPs. Segundo ele, pessoas que jamais haviam comentado o assunto se aproximaram em particular dizendo frases como “eu também vi coisas estranhas” ou “sei algo sobre isso”. Ele descreve esse comportamento como recorrente, dando a entender que o tema sempre circulou nos bastidores, mas de forma fragmentada, informal e sem registro oficial.
Knuth também relata que esse padrão não se restringe à NASA. Ao longo da carreira, diz ter ouvido histórias semelhantes vindas de militares, engenheiros e técnicos ligados a instalações sensíveis, especialmente bases estratégicas. Para ele, isso já indica que o fenômeno não é tratado como um delírio isolado, mas como algo conhecido, ainda que evitado institucionalmente.
A partir desse ponto, a conversa avança para os temas que mais impressionaram Jesse Michels ao longo do episódio.

UAPs e instalações nucleares: um padrão difícil de ignorar
Um dos eixos centrais da entrevista é a relação entre UAPs e armas nucleares. Knuth afirma que há relatos documentados de objetos desconhecidos sobrevoando bases nucleares nos Estados Unidos, na antiga União Soviética, no Reino Unido, na França e no Japão, muitas vezes associados a falhas temporárias em sistemas de mísseis.
O que mais surpreende, e que provoca uma reação explícita de Jesse, é a afirmação de que esses objetos foram observados antes mesmo de algumas bases estarem totalmente operacionais, ou seja, antes de conterem material nuclear. Para Knuth, isso levanta uma pergunta desconfortável: como esses objetos “sabiam” da importância futura desses locais?
Ele reforça que estudos comparativos indicam uma concentração estatisticamente maior de ocorrências em áreas nucleares do que em outras instalações militares ou regiões civis próximas.
Limites da física: aceleração, energia e materiais impossíveis
Outro momento de forte impacto ocorre quando Knuth detalha os limites físicos envolvidos nos casos mais famosos. Ele cita acelerações estimadas entre 5.000 e 11.000 g, valores que destruiriam qualquer aeronave conhecida e seriam fatais a qualquer piloto humano.
No caso do chamado “tic-tac”, associado ao episódio do Nimitz, Knuth explica que a energia necessária para o movimento observado seria superior à produção total das usinas nucleares dos Estados Unidos. Mesmo assumindo níveis de eficiência tecnológica quase perfeitos, o calor residual deveria derreter o objeto — algo que não ocorre.
Esses dados levam o físico a afirmar que, se os relatos forem corretos, não se trata apenas de engenharia avançada, mas de algo que envolve manipulação de inércia, gravidade ou da própria estrutura do espaço-tempo.
Bases submersas e o papel dos oceanos
Um dos trechos que mais prende a atenção do apresentador é a defesa da chamada hipótese oceânica. Knuth argumenta que os oceanos oferecem condições ideais para esconder estruturas avançadas: estabilidade térmica, proteção contra radiação, dificuldade extrema de detecção e abundância de recursos.
Ele conecta essa ideia a relatos históricos de USOs (objetos submersos não identificados), alguns registrados desde o século XIX, descrevendo luzes que emergem do mar, acompanham embarcações e depois desaparecem no céu.
Para Jesse, a força desse argumento está no fato de que ele não depende de viagens interestelares constantes, mas sugere uma presença contínua e local.
Radar, pilotos e casos históricos de alta credibilidade
Entre todos os exemplos citados, o que mais impressiona Jesse Michels é o caso do voo japonês JAL 1628, ocorrido no Alasca em 1986. Segundo Knuth, pilotos, radares civis e militares acompanharam por cerca de 45 minutos um objeto descrito como do tamanho de um porta-aviões, realizando manobras extremas.
A revelação de que esses dados teriam sido analisados por equipes científicas ligadas à Casa Branca durante o governo Reagan provoca reações explícitas de surpresa no apresentador, que admite não conhecer a profundidade desse envolvimento institucional.
NASA e governos como sistemas fragmentados
Ao contrário da ideia de um grande programa centralizado e totalmente coordenado, Knuth descreve governos e agências como estruturas fragmentadas, onde pequenas equipes sabem coisas diferentes e raramente compartilham informações.
Ele critica relatórios oficiais recentes por omitirem episódios envolvendo astronautas, missões espaciais e objetos observados em órbita, apesar de existirem registros públicos e depoimentos históricos.
Essa fragmentação, segundo ele, ajuda a explicar por que o tema parece ao mesmo tempo conhecido e ignorado.
Uma ciência civil dos UAPs
Nos momentos finais, Knuth fala sobre tentativas de criar uma abordagem científica aberta para o estudo dos UAPs, fora de programas secretos. Ele cita projetos universitários, análises de materiais com técnicas isotópicas e missões de coleta de dados que, embora imperfeitas, representam um esforço inédito de tratar o fenômeno com rigor acadêmico.
Para Jesse Michels, esse talvez seja o ponto mais provocador do episódio: a ideia de que o estudo sério dos UAPs pode avançar não apesar das instituições, mas fora delas.
Fontes:
– Podcast American Alchemy, episódio com Kevin Knuth (YouTube)
– Universidade de Albany – Departamento de Física
– Relatórios históricos citados no programa (FAA, casos JAL 1628, Nimitz)







