Eurodeputado cobra da Comissão Europeia medidas da EASA para padronizar relatos de UAPs na aviação civil

O Parlamento Europeu passou a tratar oficialmente os UAP (Fenômenos Anômalos Não Identificados), termo usado para descrever objetos ou eventos aéreos que não conseguem ser imediatamente explicados, como um tema de segurança da aviação civil. A iniciativa partiu do eurodeputado Fabio De Masi, que apresentou uma pergunta formal à Comissão Europeia pedindo esclarecimentos sobre como a União Europeia pretende lidar com esse tipo de ocorrência.

Na pergunta escrita, registrada em janeiro de 2026 no Parlamento Europeu, De Masi destaca que a Federal Aviation Administration (FAA, autoridade de aviação dos Estados Unidos) já adotou oficialmente a categoria UAP em seus sistemas de reporte. A mudança substitui o antigo termo UFO e obriga controladores de tráfego aéreo e pilotos a comunicarem qualquer observação desse tipo dentro dos procedimentos padrão de segurança.

O parlamentar também chama atenção para a Alemanha, onde o órgão nacional de aviação civil direciona relatos de UAP para uma plataforma científica operada pela Universidade de Würzburg, com o objetivo de investigar esses eventos de forma técnica e estruturada. Segundo o texto, tanto UAP quanto drones não identificados podem representar riscos reais para a aviação civil, especialmente quando surgem em rotas aéreas ou proximidades de aeroportos.

A Comissão Europeia já havia confirmado anteriormente que a European Union Aviation Safety Agency (EASA, Agência Europeia para a Segurança da Aviação) e as autoridades nacionais podem receber esse tipo de relato com base no Regulamento (UE) nº 376/2014, que trata do reporte e da análise de ocorrências na aviação civil. Agora, a nova pergunta pressiona por um passo além.

O ponto central do questionamento é se a EASA já avaliou essas iniciativas internacionais e quais medidas poderiam ser adotadas para harmonizar o registro, a análise e o compartilhamento de dados sobre UAPs entre os Estados-membros da União Europeia e parceiros internacionais. A ideia é alinhar procedimentos, evitar lacunas de informação e seguir as melhores práticas globais de segurança aérea.

O documento não faz afirmações extraordinárias nem entra em especulações sobre a origem dos fenômenos. O foco é claro: tratar UAPs como um tema técnico, regulatório e preventivo, inserido no mesmo nível de seriedade que qualquer outro risco potencial à aviação. A pergunta agora aguarda resposta oficial da Comissão Europeia, o que pode abrir caminho para protocolos comuns em todo o espaço aéreo europeu.

Fontes:
https://www.europarl.europa.eu/doceo/document/E-10-2026-000193_EN.html
https://www.faa.gov/documentLibrary/media/Notice/2025-09-12_Notice_N7110.800_Unidentied_Anomalous_Phenomena_(UAP)_Reports_FINAL.pdf

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