Os Estados Unidos negaram os vistos de entrada para 8 testemunhas brasileiras que participariam de uma coletiva pública sobre o Caso Varginha, marcada para o dia 20 de janeiro de 2026, no National Press Club, em Washington. A decisão se tornou o principal fato em torno do evento e passou a dominar o debate antes mesmo da data da coletiva.
O encontro é organizado pelo documentarista James Fox e terá transmissão ao vivo pela NewsNation. Para o público no Brasil, a programação começa às 13h (horário de Brasília), com depoimentos ligados ao Caso Varginha até 15h. A segunda parte ocorre das 16h às 17h, com a participação de insiders americanos discutindo crash retrievals (recuperação de destroços de objetos não identificados) e biologics (material biológico de possível origem não humana), termos usados hoje no debate oficial sobre UAP (Fenômenos Anômalos Não Identificados).
Segundo Fox, os 8 vistos foram negados apesar de meses de preparação, envio de documentação completa, contatos com o consulado dos EUA no Brasil e apoio institucional. Ele afirma que alguns pedidos chegaram a avançar no processo, mas acabaram sendo barrados sem explicações públicas detalhadas sobre os motivos individuais.
Em entrevista ao podcast Weaponized, publicada no início desta semana — mas gravada dias antes — Fox detalhou o histórico do bloqueio e afirmou que as testemunhas não buscavam asilo, residência ou qualquer benefício. Eram convidados formais para um evento jornalístico, com data definida, retorno programado e custos assumidos pela organização.
O que chama atenção, do ponto de vista jornalístico, é a cronologia dos acontecimentos. O relato de que os vistos já haviam sido negados surgiu antes do anúncio mais recente do governo de Donald Trump sobre o endurecimento das regras migratórias, divulgado há menos de dois dias. Essa medida reforçou o critério conhecido como public charge — avaliação do risco de a pessoa se tornar dependente de assistência pública — passando a considerar com mais peso condições crônicas de saúde, como obesidade e doenças graves, além de fatores financeiros.
Como essa nova diretriz é voltada principalmente a vistos de imigração, e não a viagens curtas para eventos públicos, o bloqueio das testemunhas do Caso Varginha parece anterior e independente desse anúncio, o que torna a decisão ainda mais difícil de explicar.
Outro ponto que pesa no debate é que, segundo o organizador, o bloqueio ocorreu quando ficou claro que o tema do evento era especificamente o Caso Varginha. Não houve, até agora, uma justificativa oficial clara sobre os critérios aplicados a cada negativa.
Mesmo com os vistos negados, a coletiva do dia 20 de janeiro de 2026 não foi cancelada. Parte das testemunhas impedidas de viajar gravou depoimentos em vídeo, que serão exibidos durante o evento no National Press Club. Ainda assim, o impacto simbólico permanece forte.
Antes mesmo de qualquer fala no palco, a coletiva já carrega um peso político inesperado. O foco deixou de ser apenas o conteúdo dos relatos e passou a girar em torno de visto, timing e decisões administrativas sem transparência, levantando a pergunta que segue sem resposta: por que 8 testemunhas brasileiras foram impedidas de entrar nos Estados Unidos para falar publicamente sobre um caso ocorrido há quase 30 anos?







