Um documento liberado via FOIA (Freedom of Information Act, a Lei de Acesso à Informação dos Estados Unidos) revela que, já em março de 2018, o tema dos UAP — Fenômenos Aéreos Não Identificados — circulava nos briefings diários destinados à alta liderança do Departamento de Defesa dos EUA. O arquivo não traz revelações técnicas nem confirma investigações secretas, mas ajuda a entender quando o assunto deixou de ser invisível dentro do governo.
O material faz parte do chamado “Morning News of Note”, um boletim diário e não classificado preparado pelo setor de análise de mídia do Pentágono. Esse tipo de documento funciona como um clipping organizado de notícias nacionais e internacionais, reunindo reportagens, artigos de opinião e até publicações em redes sociais consideradas relevantes para autoridades civis e militares.
O valor do arquivo está justamente aí. Ele não mostra como o Pentágono analisava os UAP internamente, mas sim o que estava sendo colocado diante dos olhos de quem tomava decisões. Em meio a temas como tensões com a Coreia do Norte, disputas comerciais, problemas de prontidão da Força Aérea e questões geopolíticas, aparece um elemento simbólico: a inclusão de um artigo do Washington Post criticando o Departamento de Defesa por não levar UFOs a sério.
Esse ponto é central. O texto, assinado por Christopher Mellon, ex-integrante do aparato de inteligência dos EUA, defendia que encontros da Marinha com objetos não identificados exigiam uma resposta mais coordenada do governo. O simples fato de esse artigo ter sido destacado no briefing mostra que o debate público sobre UAP já era acompanhado institucionalmente, mesmo sem comentários internos registrados no documento.
Outro aspecto revelador é o tom geral do boletim. Tweets do então presidente Donald Trump e de outras autoridades aparecem lado a lado com reportagens tradicionais, tratados como sinais políticos dignos de atenção estratégica. Isso ajuda a entender o ambiente informacional da época e como narrativas externas, incluindo as relacionadas a UFOs, eram monitoradas de forma sistemática.
É importante ser preciso: o documento não prova que a Força Aérea ou o Pentágono investigavam UAPs naquele momento, nem revela programas ocultos ou avaliações técnicas. O que ele mostra é algo mais sutil, porém relevante. Em 2018, antes das audiências no Congresso e da criação de estruturas formais para lidar com o tema, o assunto já havia alcançado um nível de visibilidade que o tornava impossível de ignorar.
Nesse sentido, o arquivo funciona como um retrato do “antes do antes”. Ele indica que o silêncio oficial que marcou aquele período não veio da falta de conhecimento sobre o debate, mas de uma escolha institucional. Os UAP ainda eram tratados como uma narrativa externa, vinda da imprensa e da opinião pública, mas já estavam presentes no radar do alto escalão do Departamento de Defesa.







