A astrônoma sueca Beatriz Villarroel anunciou no X (antigo Twitter) uma atualização que mexe com o debate em torno dos seus estudos com “transientes”, que são flashes curtos de luz registrados em placas fotográficas antigas do céu. Segundo ela, dois analistas de dados independentes, que receberam acesso à amostra usada nos trabalhos, conseguiram replicar os resultados centrais.
No post, Villarroel afirmou que as replicações confirmaram duas coisas: a associação entre transientes e janelas de testes nucleares, resultado discutido no artigo da Scientific Reports (revista científica do grupo Nature Portfolio), e também o déficit de transientes na sombra da Terra, um padrão analisado no artigo publicado na PASP (Publications of the Astronomical Society of the Pacific, revista tradicional de astronomia). Ela também destacou que essas replicações ainda são preliminares e não revisadas por pares, mas que são encorajadoras, e disse esperar novas tentativas, inclusive com revisão por pares.
A seguir, a íntegra do texto que ela publicou no X, em português:
“Algumas notícias encorajadoras: dois analistas de dados independentes que receberam acesso à amostra de transientes replicaram nossos resultados centrais sobre as associações entre transientes e testes nucleares (artigo da Scientific Reports), assim como o déficit de transientes na sombra da Terra (artigo da PASP). Um deles (Brian Doherty) documentou sua análise em uma nota curta, enquanto o outro, que replicou a associação entre nuclear e transientes, escolheu não ser nomeado neste estágio. Essas replicações são preliminares e não revisadas por pares, mas encorajadoras. Estamos ansiosos por esforços adicionais de replicação independente, incluindo os revisados por pares.”
Junto do post, circulou a imagem de uma “declaração de replicação” datada de 19 de janeiro de 2026, assinada por Brian Doherty. No documento, ele se descreve como pesquisador independente com experiência em análise estatística e economia e afirma que rodou sua própria análise. Ele também cita dois métodos usados para checar o resultado: regressão binomial negativa, um tipo de modelo estatístico usado para contagem de eventos, e permutation testing (teste de permutação, que embaralha os dados para avaliar se o resultado pode aparecer por acaso). Além disso, ele diz ter validado a metodologia ligada à “sombra da Terra”, relatando que o padrão de déficit é consistente com o que os autores haviam reportado.
Um detalhe importante é que Villarroel também anunciou que o segundo replicador preferiu não ser identificado por enquanto. Ela deixou isso explícito e não atribuiu nome a essa segunda análise, dizendo apenas que ela replicou a associação entre transientes e testes nucleares.
Esse anúncio acontece num pano de fundo já sensível. Meses antes, a própria Villarroel havia relatado controvérsias sobre barreiras de divulgação e o estigma em torno de trabalhos ligados a UAP (Fenômenos Anômalos Não Identificados), especialmente quando o tema encosta em hipóteses desconfortáveis para a astronomia tradicional. Agora, mesmo sem revisão por pares nessa nova etapa, o fato de terceiros terem replicado pontos centrais pode aumentar a pressão por checagens mais formais, com auditorias de metodologia e replicações publicadas.
Fontes:
https://x.com/DrBeaVillarroel/status/2014721896902779218







