Bases militares no Reino Unido entram em nova fase de alerta após MI6 ligar drones à Rússia e governo ampliar poderes de resposta

Os episódios de drones sobre bases aéreas britânicas usadas pela Força Aérea dos Estados Unidos no fim de 2024 deixaram de ser apenas um mistério operacional e passaram a produzir desdobramentos concretos e imediatos. A principal virada ocorreu quando a chefe do serviço secreto britânico, a MI6, afirmou publicamente que a Rússia vem usando drones como tática de “zona cinzenta”, isto é, ações hostis abaixo do limiar formal da guerra, para pressionar e testar países da OTAN.

Essa avaliação, apresentada em discurso oficial em dezembro de 2025, confirmou o que investigações técnicas e análises de segurança já vinham apontando: os voos não tinham características de UAP (Fenômenos Anômalos Não Identificados, termo oficial para relatos sem explicação imediata), mas sim de operações coordenadas com drones convencionais adaptados, usados para espionagem, mapeamento de defesas e intimidação psicológica. O relatório detalhado que consolida essas conclusões mostra que os incidentes se concentraram em bases estratégicas no leste da Inglaterra, como Lakenheath e Mildenhall, durante o período de novembro a dezembro de 2024 .

Um dos fatos mais relevantes agora é a mudança de postura do governo britânico. O secretário de Defesa, John Healey, anunciou que as Forças Armadas receberão novos poderes legais para neutralizar drones próximos a instalações militares, sem depender exclusivamente da polícia civil. A medida vem acompanhada de investimentos em tecnologias de contra-drones, conhecidas como C-UAS (Counter-Unmanned Aerial Systems, sistemas de detecção e neutralização de drones).

Empresas que prestam serviços de segurança aérea ao Ministério da Defesa e a grandes aeroportos britânicos reforçam que os incidentes de 2024 apresentaram sinais claros de ataques coordenados, com múltiplos drones operando de forma sincronizada. Esses equipamentos, segundo análises técnicas, eram modelos comerciais modificados para reduzir sinais de rádio, dificultando a detecção tradicional. O objetivo não teria sido causar dano físico imediato, mas expor vulnerabilidades, provocar interrupções e coletar dados sensíveis, um padrão típico de guerra híbrida.

Outro ponto quente é o impacto europeu. Autoridades da União Europeia e de países da OTAN passaram a tratar eventos semelhantes em aeroportos e bases militares como parte de uma campanha mais ampla de pressão russa. A leitura atual é que os casos no Reino Unido se encaixam em uma sequência de episódios registrados em outros países, especialmente após decisões políticas que ampliaram o apoio militar à Ucrânia.

O debate sobre uma suposta ligação entre “UFOs e armas nucleares” também perdeu força. Relatórios citados no estudo indicam que, no período dos voos de drones, não havia armas nucleares operacionais em algumas das bases mais citadas nas redes sociais, o que enfraquece narrativas mais sensacionalistas e reforça a explicação baseada em espionagem e intimidação estatal.

O cenário que se desenha agora é claro: longe de encerrar o assunto, a atribuição oficial à Rússia abre uma nova fase, com reforço de segurança, mudanças legais e maior coordenação entre inteligência, forças armadas e empresas de defesa. Para analistas, o recado é direto: episódios desse tipo não são exceção, mas parte de um ambiente de tensão permanente, em que drones deixaram de ser curiosidade tecnológica para se tornar ferramentas centrais de pressão geopolítica.

Fontes:
https://www.liberationtimes.com/home/russia-drones-and-the-ufo-narrative

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