O astrofísico Avi Loeb, professor de Harvard e conhecido por suas pesquisas sobre buracos negros e objetos interestelares, veio a público para responder a alegações de que teria se reunido com Jeffrey Epstein. A resposta ocorreu durante uma entrevista ao jornalista Fernando Silva, do canal La Señal, exibida no episódio #826 do Psicoactivo Podcast, após o nome de Loeb aparecer em documentos associados aos chamados Epstein Files, o conjunto de registros judiciais ligados ao financista condenado por crimes sexuais.
A controvérsia surgiu a partir de e-mails de 2016, divulgados em documentos oficiais do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, nos quais aparece uma mensagem assinada por Avi Loeb relatando uma reunião administrativa em Harvard. Em mensagens anteriores da mesma cadeia, outros acadêmicos discutem a possibilidade de pedir a Jeffrey Epstein apoio financeiro para projetos científicos, incluindo um centro de estudos sobre buracos negros. O fato de o nome de Loeb aparecer nesse contexto levou a especulações nas redes sociais sobre uma suposta relação direta entre ele e Epstein.
Durante a entrevista, Loeb foi categórico. Ele afirmou que nunca conheceu Jeffrey Epstein pessoalmente, nunca se reuniu com ele e jamais recebeu qualquer tipo de financiamento vindo do financista. Para reforçar a declaração, Loeb compartilhou sua agenda oficial do dia 16 de outubro de 2015, data que circulava nas acusações como o suposto dia do encontro. Segundo o professor, o calendário mostra apenas compromissos internos da universidade, como reuniões com pós-doutorandos e atividades administrativas, sem qualquer registro de encontro com Epstein.
Loeb explicou que, naquele período, ocupava o cargo de chefe do Departamento de Astronomia de Harvard e estava envolvido na fase inicial da criação da Black Hole Initiative (Iniciativa dos Buracos Negros), um centro interdisciplinar voltado ao estudo desses objetos extremos do universo. Ele reconheceu que, como diretor fundador, sua função incluía buscar financiamento, mas afirmou que nunca abordou Epstein diretamente e que o projeto acabou sendo financiado pela John Templeton Foundation e pela Moore Foundation, instituições filantrópicas conhecidas no meio científico.
O astrofísico também destacou que, em grandes universidades, é comum que terceiros tentem intermediar encontros entre pesquisadores e potenciais doadores, sem que isso resulte necessariamente em reuniões reais. Segundo ele, os documentos citados mostram apenas tentativas ou discussões administrativas de terceiros, e não evidência de um encontro efetivo.
Ao comentar a repercussão do caso, Loeb criticou o que chamou de “toxicidade nas redes sociais” e afirmou que muitas pessoas estão “caçando fantasmas”, transformando menções indiretas em acusações graves sem base factual. Ele reforçou que não existe qualquer prova de ligação pessoal, financeira ou acadêmica entre ele e Epstein.
O episódio também reacendeu um debate mais amplo sobre o impacto dos Epstein Files na comunidade científica. Diversos pesquisadores tiveram seus nomes citados em e-mails por conta de tentativas de captação de recursos, algo comum em ambientes acadêmicos altamente dependentes de financiamento privado. O próprio Psicoactivo destacou que a simples presença de um nome em documentos não implica envolvimento nos crimes cometidos por Epstein, sendo necessário analisar o contexto de cada caso.
No encerramento da entrevista, Avi Loeb reafirmou que não há “nenhuma história” em sua relação com Epstein, porque ela simplesmente não existiu. Para ele, o episódio serve como exemplo de como informações incompletas podem gerar acusações desproporcionais, especialmente quando associadas a um dos maiores escândalos criminais das últimas décadas.
Fontes:
https://www.youtube.com/watch?v=dOi-SsAT7W0
https://www.justice.gov/age-verify?destination=/epstein/files/DataSet%2010/EFTA01612793.pdf







