AARO libera três novos vídeos de UAP, dois seguem sem explicação e um é identificado como aves

A All-domain Anomaly Resolution Office, a AARO — o escritório do Departamento de Defesa dos EUA criado para investigar UAP (Fenômenos Anômalos Não Identificados) — divulgou três novos vídeos oficialmente catalogados como PR-018, PR-017 e PR-016. Dois deles permanecem não resolvidos, enquanto um foi avaliado como aves. A publicação rapidamente chamou atenção pela disparidade entre os materiais e pelas conclusões oferecidas.

O vídeo mais longo, PR-018, mostra 10 minutos e 30 segundos de imagens infravermelhas captadas por uma plataforma militar na Europa em 2024. A AARO afirma, com alta confiança, que o registro apresenta um objeto físico real, captado por sensores militares. Apesar disso, a agência conclui que suas características são “pouco notáveis” e que o caso não exige investigação adicional. Para muitos observadores, essa justificativa soa difícil de conciliar com o fato de que o próprio órgão confirma a presença de um objeto físico cuja origem segue desconhecida.

O segundo vídeo, PR-017, tem apenas 30 segundos e foi gravado por uma câmera de celular comum, também na Europa em 2024. A AARO considera o material insuficiente para determinar o que aparece na imagem. Assim como no caso anterior, o episódio entra na categoria de não resolvido, ficando arquivado à espera de dados adicionais que talvez nunca apareçam.

Já o terceiro vídeo, PR-016, é o único classificado como resolvido. Registro de 2023 feito em infravermelho, ele mostra múltiplos pontos térmicos que, segundo a análise oficial, têm mais de 95% de probabilidade de serem aves. A justificativa se baseia na formação de voo, na constância relativa entre os objetos e no padrão térmico compatível com o bater de asas.

Apesar do tom técnico e direto da AARO, os vídeos chegam em um momento em que denúncias de dentro do próprio Departamento de Defesa questionam o funcionamento do órgão. Matthew Brown, um whistleblower (denunciante interno) que trabalhou no gabinete responsável pela supervisão da AARO, relatou ter lido transcrições confidenciais de reuniões em que conclusões eram minimizadas ao serem apresentadas a senadores. Segundo ele, havia um padrão de admitir a existência de dados, mas imediatamente afirmar que não há informações suficientes para avançar — algo que muitos enxergam refletido nas conclusões oferecidas para PR-017 e PR-018.

Críticas semelhantes foram feitas por James Lacatski, ex-responsável por programas anteriores de estudo de fenômenos anômalos, como o AATIP. Ele descreveu a atuação atual da AARO como um mecanismo de contrainformação, termo usado para ações que direcionam a percepção pública misturando verdades e lacunas. Lacatski também afirmou que documentos falsos sobre programas históricos teriam sido criados e inseridos em arquivos oficiais, um ponto que ele diz ter reportado ao Inspetor-Geral do Pentágono.

Em contrapartida, o próprio diretor atual da AARO, John Kosowski, reconheceu recentemente ao Congresso que existem casos “genuinamente anômalos” que o órgão não consegue explicar, incluindo relatos de objetos triangulares observados por policiais realizando manobras sem sinais de propulsão. Ou seja, há um contraste evidente entre casos reconhecidamente extraordinários e vídeos recém-divulgados tratados como pouco relevantes.

Por enquanto, a AARO afirma que os novos registros apenas alimentam análises históricas e geográficas do fenômeno, sem abrir qualquer linha adicional de investigação. Para especialistas e leigos que aguardavam algo mais sólido, os três vídeos levantam novamente a dúvida sobre o que a agência pode — ou está disposta a — esclarecer de fato.

Fontes:
https://www.aaro.mil/UAP-Cases/Official-UAP-Imagery/
https://www.dvidshub.net/video/988676/pr-018-unresolved-uap-report-europe-2024
https://www.dvidshub.net/video/988675/pr-017-unresolved-uap-report-europe-2024
https://www.dvidshub.net/video/988673/pr-016-resolved-birds-europe-2023

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