Panorama global dos UAPs: site organiza todas as iniciativas e mostra quem faz o quê no debate atual

O artigo do New Space Economy não traz uma “revelação” isolada, mas faz algo que pouca gente vinha fazendo com clareza: organiza todo o ecossistema moderno de informações sobre UAP, explicando quais órgãos existem, onde atuam, qual é o foco de cada um e o nível real de acesso público aos dados. Para facilitar a leitura e dar visão de conjunto, abaixo está a tabela completa com todas as entidades, programas, projetos e veículos citados, sem exceção, acompanhados de uma explicação simples do papel de cada um.

A tabela ajuda a entender por que os Estados Unidos aparecem como eixo central do debate atual, mas também mostra como ciência, arquivos civis, imprensa especializada e outros países entram nesse quebra-cabeça.

País / OrigemEntidade / ProjetoTipoO que é e o que fazGrau de acesso público
Estados UnidosAll-domain Anomaly Resolution Office (AARO)Governo / DefesaEscritório do Departamento de Defesa criado por lei para investigar UAP em todos os domínios: ar, espaço, mar e subsolo. Centraliza relatos militares e produz relatórios oficiais.Médio – relatórios anuais e casos selecionados
Estados UnidosDepartment of Defense (DoD)Governo / DefesaÓrgão ao qual a AARO está vinculada. Trata UAP como questão de segurança nacional e inteligência.Médio
Estados UnidosOffice of the Director of National Intelligence (ODNI)Governo / InteligênciaRecebe relatórios da AARO e integra o tema ao sistema de inteligência dos EUA.Baixo a médio
FrançaGEIPANGoverno / CientíficoGrupo civil ligado à agência espacial francesa que investiga UAP com metodologia científica e banco de dados público classificado.Alto – casos publicados e classificados
FrançaCNESAgência espacialInstituição que abriga o GEIPAN e dá base científica às investigações.Alto
ChileSEFAAGoverno / AviaçãoÓrgão da aviação civil chilena que investiga UAP como questão de segurança aérea, com participação de pilotos e especialistas.Alto
UruguaiCRIDOVNIGoverno / Força AéreaComissão da Força Aérea para receber e investigar relatos de objetos voadores não identificados.Médio
BrasilArquivo NacionalGoverno / ArquivoGuarda milhares de documentos desclassificados da Força Aérea sobre UAP, incluindo casos históricos.Alto
CanadáSky Canada ProjectGoverno / CientíficoProjeto do Escritório do Assessor Científico Chefe que avalia como o país lida com relatos de UAP e propõe padronização.Médio
JapãoJapan Parliamentary UAP GroupGoverno / LegislativoGrupo suprapartidário que trata UAP como tema de defesa, com foco em drones e intrusões aéreas.Baixo
ChinaPeople’s Liberation Army (PLA)Governo / MilitarForças Armadas chinesas, que usam inteligência artificial para classificar “condições aéreas não identificadas”.Muito baixo
Estados UnidosGalileo ProjectAcadêmicoProjeto da Universidade de Harvard que busca dados instrumentais de alta qualidade para identificar possíveis tecnologias não humanas.Alto
Estados UnidosSol FoundationThink tankFundação dedicada às implicações políticas, sociais e filosóficas dos UAP, promovendo simpósios e relatórios.Alto
InternacionalScientific Coalition for UAP Studies (SCU)Científico independenteCoalizão de cientistas e engenheiros que analisa casos famosos com física e matemática, sem especulação.Alto
Estados UnidosNational UFO Reporting Center (NUFORC)CivilBanco de dados civil com mais de 180 mil relatos de avistamentos ao longo de décadas.Alto
Estados UnidosThe Black VaultArquivo civilMaior coleção privada de documentos governamentais obtidos por leis de acesso à informação, incluindo UAP.Alto
Estados UnidosEnigma LabsTecnologiaPlataforma com aplicativo e inteligência artificial para coletar, filtrar e cruzar relatos de UAP em tempo real.Alto
Estados UnidosThe DebriefJornalismoVeículo especializado em ciência, defesa e UAP, conhecido por reportagens investigativas rigorosas.Alto
Reino UnidoLiberation TimesJornalismoSite focado em política, transparência e UAP, com atenção especial a bastidores governamentais.Alto
Estados UnidosNewsNationMídiaCanal de TV que deu espaço contínuo ao tema UAP, tratando-o como notícia séria.Alto
Estados UnidosWeaponizedPodcastPrograma investigativo que divulga documentos, vídeos e depoimentos de fontes militares e de inteligência.Alto
Estados Unidos / AustráliaNeed to KnowPodcastPodcast analítico que interpreta bastidores políticos, legislativos e midiáticos da divulgação de UAP.Alto

O panorama que emerge dessa tabela é claro: os UAP deixaram de ser um tema difuso e passaram a existir dentro de uma estrutura formal, com papéis bem definidos. Os EUA lideram em volume institucional e impacto político, a França se destaca pela transparência científica, a América Latina contribui com abertura histórica, e o setor civil e acadêmico atua como contrapeso e memória de longo prazo.

É exatamente isso que o artigo do New Space Economy entrega: não uma conclusão final, mas um mapa confiável para quem quer entender onde estão as informações, quem produz os dados e como o debate realmente funciona hoje.

Fontes:
https://newspaceeconomy.ca/2025/11/19/a-global-survey-of-official-academic-and-civilian-uap-information-ecosystems/

Diante desse cenário internacional bem mapeado, a reflexão que fica é se não faria sentido aplicar o mesmo exercício no Brasil. O país já dispõe de um volume expressivo de informações sobre UAP, espalhadas entre arquivos oficiais, documentos da Força Aérea, registros da aviação civil e iniciativas independentes, mas tudo isso segue pouco organizado e difícil de contextualizar para o público. Reunir, classificar e explicar o que já existe — sem criar novas estruturas ou assumir conclusões — seria um passo simples, porém decisivo, para dar clareza ao debate nacional. Se você conhece iniciativas, documentos, bancos de dados ou projetos brasileiros que deveriam entrar nesse mapeamento, envie para a equipe do Desperta News pelas nossas redes sociais ou pelo WhatsApp, no botão ao lado direito da tela. Em um momento em que o desafio deixou de ser a falta de dados e passou a ser a compreensão do panorama, organizar a informação disponível talvez seja o movimento mais básico e mais necessário.

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