No “Reality Check Q&A”, exibido pela NewsNation, o jornalista investigativo Ross Coulthart respondeu perguntas do público sobre UAP (Fenômenos Anômalos Não Identificados, termo oficial usado para ocorrências ainda sem explicação clara). Ao longo do programa, Coulthart adota um tom cauteloso e insiste em separar relatos históricos, bastidores governamentais e especulações que circulam fora do campo jornalístico.
Ao ser questionado se Donald Trump precisaria priorizar a paz mundial antes de qualquer disclosure (divulgação de informações oficiais), Coulthart foi direto. “Não especificamente com o Trump. Não.” Ele lembra que essa ideia aparece na ufologia desde os anos 1950 e 1960, quando algumas pessoas afirmavam receber mensagens de supostas inteligências pedindo que a humanidade abandonasse o caminho da guerra nuclear. Em seguida, faz a conexão com o presente e resume sua visão: “E o que mudou? Absolutamente nada.”
Segundo Coulthart, o clima atual de tensão internacional ajuda a manter esse tipo de narrativa viva. Ele cita o Bulletin of the Atomic Scientists e o Relógio do Juízo Final, indicador simbólico de risco global, para reforçar que o medo de uma escalada nuclear segue alto. Ainda assim, ele faz uma ressalva importante, dizendo que esse padrão de mensagens pode refletir também medo, ansiedade e paranoia diante de um cenário global instável.
É a partir daí que ele esfria expectativas em torno de Trump. Coulthart afirma, ipsis litteris, que não vê Trump como um “presidente da divulgação”. Ele menciona que há pessoas apostando em anúncios simbólicos, como no aniversário de Roswell, mas corta o entusiasmo. “Eu simplesmente não vejo isso acontecendo.”
Nesse contexto, Coulthart não comenta nomes nem histórias específicas, mas a fala dele contrasta com o que hoje circula na internet. Nas últimas semanas, ganhou espaço uma especulação segundo a qual Trump estaria prestes a fazer um grande discurso sobre UFOs. Essa narrativa foi impulsionada por declarações de Mark Christopher Lee, cineasta e ufólogo britânico, que afirmou à imprensa ter ouvido de um assessor que o presidente estaria preparado para um anúncio histórico. Trata-se, porém, de um relato indireto, sem confirmação oficial, que não aparece nem é endossado no programa da NewsNation.
O que Coulthart coloca no lugar dessas expectativas é bem mais sóbrio. Ele diz ter falado com pessoas “da administração” que pediram paciência e afirma ter sido informado sobre “uma investigação em andamento do FBI” envolvendo supostas ilegalidades ligadas a um alegado programa legado de recuperação de UAP e reverse engineering (engenharia reversa, que é tentar entender tecnologia desmontando o que já existe). Segundo ele, essa investigação estaria sendo conduzida em coordenação com o gabinete da Diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard. O ponto central, porém, é o aviso: “não estamos vendo nenhum resultado” até agora.
Ao longo do episódio, Coulthart repete a mesma lógica em outros temas, como o projeto militar “Golden Dome”, teorias envolvendo IA e até boatos sobre instalações científicas. Em todos os casos, ele insiste que não vê sinais de ameaça iminente nem de revelações prontas para serem anunciadas. O recado final é claro. Entre boatos amplificados online e o que aparece em conversas reais com fontes governamentais, a distância ainda é grande.
Fontes:
https://www.newsnationnow.com
https://home.cern
https://thebulletin.org







