Chefes da corrida pela inteligência artificial discutem Paradoxo de Fermi e citam vida extraterrestre em debate público em Davos

Durante um painel realizado esta semana em Davos, dois dos nomes mais influentes da inteligência artificial mundial acabaram tocando em um dos temas centrais da ufologia moderna: o Paradoxo de Fermi, a pergunta clássica que questiona por que não vemos sinais de outras civilizações inteligentes em um universo tão vasto.

O debate reuniu Dario Amodei, CEO da Anthropic, e Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, em uma conversa mediada por Zanny Minton Beddoes, durante o Fórum Econômico Mundial. O tema oficial era o “dia seguinte à AGI”, sigla para Artificial General Intelligence (Inteligência Artificial Geral, sistemas capazes de realizar qualquer tarefa intelectual em nível humano), mas a discussão acabou avançando para questões muito mais amplas.

A ligação direta com a ufologia surgiu quando um participante da plateia perguntou sobre o Paradoxo de Fermi, conceito criado pelo físico Enrico Fermi que resume a contradição entre a alta probabilidade de vida inteligente no universo e a ausência de evidências observáveis desse tipo de civilização. A pergunta provocou respostas reveladoras dos dois executivos.

Dario Amodei afirmou que, se civilizações tecnológicas costumassem ser destruídas por suas próprias criações, como uma inteligência artificial fora de controle, deveríamos observar sinais claros disso no cosmos. Ele citou a ausência de tecnossinaturas, termo usado para descrever evidências observáveis de tecnologia avançada no espaço, como megaestruturas artificiais. Entre os exemplos mencionados está a Esfera de Dyson, uma construção hipotética capaz de capturar grande parte da energia de uma estrela, algo que astrônomos nunca detectaram até hoje.

Amodei também fez referência ao experimento mental do paperclip maximizer, uma ideia popular na pesquisa de IA que descreve uma inteligência artificial que, ao otimizar obsessivamente um objetivo simples, acabaria consumindo todos os recursos disponíveis. Segundo ele, se esse tipo de cenário fosse comum no universo, já deveríamos ver seus efeitos em escala astronômica.

Demis Hassabis concordou que o Paradoxo de Fermi ainda exige explicações mais profundas e afirmou ter suas próprias teorias, mas reconheceu que o tema é complexo demais para respostas simples. Para ele, a ausência de sinais pode indicar que a humanidade já tenha superado o chamado Grande Filtro, uma hipótese que sugere a existência de etapas extremamente difíceis na evolução da vida inteligente, responsáveis por impedir que civilizações avancem ou sobrevivam por longos períodos.

Um detalhe que chamou atenção foi o fato de ambos citarem o filme Contato, baseado na obra do astrônomo Carl Sagan, como uma de suas produções favoritas. O filme é um marco cultural por tratar o contato com inteligência extraterrestre de forma científica e cautelosa, abordagem que reflete o tom adotado pelos executivos ao falar do tema.

Embora nenhum deles tenha mencionado diretamente UFOs ou UAP (Fenômenos Anômalos Não Identificados, objetos ou eventos observados no céu que não podem ser explicados de imediato), o debate reforça um ponto cada vez mais presente na ufologia contemporânea: se a criação de inteligência não-humana é possível na Terra, a ausência de sinais semelhantes no universo levanta questões profundas sobre o destino das civilizações tecnológicas.

A conversa em Davos mostra como temas historicamente associados à ufologia estão, pouco a pouco, entrando no centro do debate científico e tecnológico global, agora impulsionados pela rápida evolução da inteligência artificial.

Fontes:

  • https://www.youtube.com/watch?v=02YLwsCKUww
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