Em 1976, disparos antiaéreos em Seul duraram quase 2 horas, sem acertos, contra objetos na direção da residência presidencial

No fim da tarde de 14 de outubro de 1976, moradores de Seul, capital da Coreia do Sul, ouviram um som incomum que ecoou por grandes áreas da cidade. Baterias de defesa antiaérea passaram a disparar repetidamente enquanto luzes brilhantes surgiam no céu e se deslocavam lentamente na direção da Casa Azul, a Casa Azul, sede da presidência sul-coreana.

Testemunhas afirmaram ter visto até 12 objetos luminosos em formação regular, sem comportamento compatível com estrelas, satélites ou aeronaves convencionais. Os disparos ocorreram em três momentos distintos ao longo de quase duas horas, entre o início da noite e pouco depois das 20h, sem que nenhum dos alvos aparentes fosse atingido.

Na manhã seguinte, porém, a versão divulgada oficialmente foi bem mais discreta. A imprensa falou em apenas dois disparos e em um único alvo, descrito como uma aeronave cargueira estrangeira que teria se desviado da rota e logo a corrigido. O episódio foi tratado como um incidente aéreo comum, apesar da intensidade do fogo antiaéreo em plena área urbana.

Décadas depois, depoimentos e documentos analisados em um documentário sul-coreano reacenderam o debate. O material indica que houve mais disparos do que os noticiados, além de civis feridos por estilhaços, e aponta para um esforço deliberado de censura à imprensa durante o regime militar da época. Segundo o documentário, menções à Casa Azul e ao deslocamento dos objetos em sua direção teriam sido consideradas assunto sensível.

Os objetos passaram a ser chamados de UFO, sigla em inglês para Unidentified Flying Object (Objeto Voador Não Identificado, termo usado quando algo no céu não pode ser identificado de imediato). Em registros mais recentes, também se usa UAP (Unidentified Anomalous Phenomena, Fenômenos Anômalos Não Identificados), uma expressão mais ampla que inclui eventos aéreos e espaciais sem explicação clara.

À época, Seul tinha cerca de 6 milhões de habitantes, e os disparos foram ouvidos por grande parte da cidade, o que explica o alto número de relatos e o impacto duradouro do episódio na memória coletiva. Ainda assim, não existem registros oficiais completos que esclareçam de forma definitiva o que sobrevoou a capital naquela noite nem por que a defesa antiaérea abriu fogo de maneira tão intensa.

Quase cinquenta anos depois, o caso do chamado “UFO da Casa Azul” segue como um dos episódios mais controversos da história recente da Coreia do Sul, frequentemente citado em discussões sobre sigilo estatal, censura e a resposta de governos a fenômenos aéreos não identificados.

Fontes:
https://www.youtube.com/watch?v=NDhWKgvs0Ak

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