Autoridades francesas confirmaram que militares interceptaram um sobrevoo ilegal de drones sobre a base estratégica de Île Longue, no litoral da Bretanha, onde ficam os quatro submarinos nucleares lançadores de mísseis balísticos da França — Le Triomphant, Le Téméraire, Le Vigilant e Le Terrible. O episódio ocorreu na noite de quinta-feira e imediatamente chamou atenção de especialistas em segurança, porque envolve um dos locais mais sensíveis das Forças Armadas francesas.
A ministra da Defesa, Catherine Vautrin, reconheceu publicamente a incursão e elogiou a ação das tropas que conseguiram interceptar um dos drones. Ela não explicou que tipo de medida foi usada na defesa, citando apenas que o ato é proibido e está sob investigação. Em casos assim, as possibilidades vão desde interferência eletrônica (bloqueio de sinal) até armas dedicadas a derrubar aeronaves pequenas, mas o governo manteve o sigilo — algo comum quando o assunto envolve proteção nuclear.
Apesar de a imprensa francesa mencionar vários drones, o Ministério da Defesa preferiu não detalhar número nem modelo. A ausência de informações também deixa em aberto a pergunta central: quem lançou os aparelhos? Por enquanto, não há suspeitos oficiais.
Esse caso se soma a uma onda recente de incursões aéreas misteriosas em diversos países europeus. Nos últimos meses, Dinamarca, Noruega, Bélgica, Holanda, Irlanda e Polônia relataram drones não identificados voando perto de aeroportos e instalações militares. Em algumas situações, aeroportos chegaram a fechar temporariamente por segurança. Em outras, sobrevoos suspeitos ocorreram perto de bases estratégicas, criando tensão diplomática. Em incidentes anteriores, autoridades desses países chegaram a apontar possível envolvimento russo em violações de espaço aéreo, especialmente na Estônia e na Polônia, embora nenhum governo europeu tenha feito essa associação no caso francês até agora.
Para especialistas em defesa, a preocupação cresce porque drones permitem espionagem de baixo custo e difícil rastreamento. A tecnologia também avança rápido, o que amplia a necessidade de vigilância. O episódio de Île Longue reforça esse cenário: um alvo de altíssimo valor, protegido por camadas de segurança, ainda assim foi visitado por aeronaves não autorizadas — e isso naturalmente levanta o nível de alerta em toda a Europa.







