Alemanha amplia poderes contra “drones misteriosos” e inaugura unidade nacional de defesa aérea policial

A Alemanha deu neste início de dezembro um passo considerado decisivo para enfrentar a onda de drones não identificados que vêm sobrevoando aeroportos, quartéis e infraestruturas críticas em toda a Europa. Em Ahrensfelde, a Polícia Federal apresentou oficialmente sua nova unidade nacional de combate a drones, criada para detectar, rastrear e interceptar aeronaves remotas com agilidade — um movimento que reforça a percepção de que o problema deixou de ser mero incômodo e passou a representar uma vulnerabilidade estratégica real.

O lançamento ocorreu após uma série de avistamentos que chegaram a provocar paralisações temporárias nos aeroportos de Munique e Copenhague neste outono europeu. Segundo o Ministério do Interior, a equipe inaugurada hoje faz parte de uma estratégia acelerada pelo governo para responder a incursões cada vez mais frequentes e mais ousadas. A unidade apresentou seus primeiros procedimentos de operação durante a visita do ministro do Interior, Alexander Dobrindt, que classificou a medida como essencial para “proteger o espaço aéreo em tempo real”.

Além da capacidade imediata de monitoramento e neutralização, a Alemanha avançará ainda em dezembro com a instalação de um centro conjunto de contramedidas federal-estadual, cujo local está sendo definido pela Conferência dos Ministros do Interior. Em paralelo, o governo redige mudanças legais que devem expandir os poderes da Polícia Federal para derrubar drones e permitir, em casos excepcionais, a atuação direta da Bundeswehr — o Exército alemão — em missões de defesa aérea interna, algo tradicionalmente sensível dentro da legislação do país.

O tema também ganha força regionalmente. Em pronunciamento transmitido por emissoras locais, o ministro do Interior de Baden-Württemberg, Thomas Strobel, defendeu o investimento em uma “police drone made in Germany” (droner policial fabricado na Alemanha), ressaltando a necessidade de independência tecnológica e integração mais estreita entre os 16 estados, a Polícia Federal e as Forças Armadas. Strobel afirmou que o estado pretende aportar novos recursos para pesquisa, desenvolvimento e sistemas de detecção, reforçando que a resposta alemã precisa ser moderna, rápida e baseada em tecnologia nacional.

Com mais países europeus liberando oficialmente o uso de força contra drones suspeitos, a decisão alemã coloca o continente em alerta. O recado é claro: os voos anômalos sobre alvos sensíveis deixaram de ser tolerados, e a Alemanha está redesenhando sua doutrina de segurança para tratar o fenômeno como uma ameaça híbrida — não como um brinquedo perdido no céu.

Fontes:
https://www.deutschland.de/en/news/counter-drone-unit-begins-operations

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