As novas falas de Marco Rubio, hoje secretário de Estado e também assessor direto de Segurança Nacional, atingiram em cheio a espinha dorsal de The Age of Disclosure, documentário que vinha sendo tratado como um ponto de virada no debate público sobre UAPs, sigla em inglês para Unidentified Anomalous Phenomena (Fenômenos Anômalos Não Identificados). Rubio afirmou à Fox News que suas declarações no filme foram gravadas três ou quatro anos atrás, quando ainda era senador, e que ele estava apenas repetindo o que outras pessoas haviam lhe relatado, não fatos que conhecesse pessoalmente.
Ao dizer que houve “um pouco de edição seletiva” — justificando que isso acontece quando alguém “está tentando vender um programa” — Rubio desestabilizou uma das bases do documentário: a ideia de que suas falas representariam convicções atuais e verificadas de uma autoridade de altíssimo nível. O senador convertido em chefe diplomático não negou o que disse, mas também não confirmou que tenha meios de verificar as alegações extraordinárias que ajudou a popularizar. Para muitos, esse recuo soa como uma mudança de postura motivada mais por política do que por prudência.
O impacto imediato foi sentido na própria comunidade ufológica. Isso porque The Age of Disclosure vinha sendo interpretado como uma peça de catalisação, isto é, um elemento capaz de atrair novos interessados para o debate sobre desacobertamento — palavra usada para descrever a abertura total ou parcial de informações retidas pelo governo sobre UAPs. A presença de Rubio, apresentada no filme como um testemunho robusto e representativo, era parte essencial dessa estratégia. Quando o protagonista mais poderoso do elenco passa a relativizar o que disse, a força do documentário diminui.
O jornalista Michael Shellenberger argumentou que, ocupando os cargos que ocupa, Rubio deveria ter capacidade de verificar ou desmentir as histórias que descreveu como “espetaculares”, vindas de militares e funcionários com altas credenciais. Essa cobrança expôs um paradoxo desconfortável: se alguém com acesso a Programas de Acesso Especial — explicados como projetos ultrassigilosos dentro da estrutura de inteligência — diz não ter como confirmar nada, o que sobra ao público? A dúvida, antes direcionada aos fenômenos, agora se volta para a própria estrutura de governo.
Essa instabilidade levou muitos a observar um segundo elemento curioso: quase todos os divulgadores e denunciantes associados ao tema passaram a mencionar Donald Trump como figura-chave em uma eventual grande revelação. A repetição do nome, surgindo de fontes distintas e em momentos próximos, dá a impressão de que existe um esforço narrativo coordenado para posicionar o ex-presidente no centro da expectativa por desacobertamento. A coincidência é grande demais para passar despercebida.
O resultado é um ambiente em que o documentário — antes visto como um marco — agora luta contra fissuras criadas pelo próprio personagem que ajudava a legitimá-lo. E, sem essa base sólida, o poder de The Age of Disclosure de trazer novos interessados ao tema enfraquece. O filme, lançado com a ambição de impulsionar o debate, acaba se tornando exemplo de como uma edição mal contextualizada pode comprometer todo um movimento.
Enquanto isso, cresce a pergunta que paira no ar: o desacobertamento perde força, ou apenas muda de mãos? Para muitos, as declarações de Rubio não só enfraquecem o momento atual como também mostram que o caminho para uma revelação oficial continua cheio de contradições, agendas paralelas e um silêncio que parece cada vez mais estratégico.
Fontes:
https://www.public.news/p/trump-must-reveal-what-the-government
https://www.youtube.com/watch?v=jSMeMc9cE0g







